terça-feira, 28 de junho de 2011

SOBRE O FUMO


TABACO
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Definição e histórico
O tabaco é uma planta cujo nome científico é Nicotiana tabacum, da qual é extraída
uma substância chamada nicotina. Começou a ser utilizada aproximadamente
no ano 1000 a.C., nas sociedades indígenas da América Central, em rituais mágicoreligiosos,
com o objetivo de purificar, contemplar, proteger e fortalecer os ímpetos
guerreiros, além disso, esses povos acreditavam que essa substância tinha o poder
de predizer o futuro. A planta chegou ao Brasil provavelmente pela migração de tribos
tupis-guaranis. A partir do século XVI, seu uso foi introduzido na Europa, por
Jean Nicot, diplomata francês vindo de Portugal, após ter-lhe cicatrizado uma úlcera
na perna, até então incurável.
No início, utilizado com fins curativos, por meio do cachimbo, difundiu-se rapidamente,
atingindo Ásia e África no século XVII. No século seguinte, surgiu a moda
de aspirar rapé, ao qual foram atribuídas qualidades medicinais, pois a rainha da
França, Catarina de Médicis, o utilizava para aliviar suas enxaquecas.
No século XIX, surgiu o charuto que veio da Espanha e atingiu toda a Europa,
Estados Unidos e demais continentes, sendo utilizado para demonstração de ostentação.
Por volta de 1840 a 1850, surgiram as primeiras descrições de homens e
mulheres fumando cigarros, porém, somente após a Primeira Guerra Mundial
(1914 a 1918), seu consumo apresentou grande expansão.
Seu uso espalhou-se por todo o mundo a partir de meados do século XX, com
a ajuda de técnicas avançadas de publicidade e marketing que se desenvolveram
nessa época.
A partir da década de 1960, surgiram os primeiros relatórios científicos que relacionaram
o cigarro ao adoecimento do fumante, e hoje existem inúmeros trabalhos
comprovando os malefícios do tabagismo à saúde do fumante e do não-fumante
exposto à fumaça do cigarro.
Hoje, o fumo é cultivado em todas as partes do mundo e é responsável por uma
atividade econômica que envolve milhões de dólares. Apesar dos males que o hábito
de fumar provoca, a nicotina é uma das drogas mais consumidas no mundo.
Este capítulo foi elaborado em parceria com o INCA/Contapp.
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Efeitos no cérebro
Quando o fumante dá uma tragada, a nicotina é absorvida pelos pulmões, chegando
ao cérebro aproximadamente em nove segundos.
Os principais efeitos da nicotina no sistema nervoso central consistem em: elevação
leve no humor (estimulação) e diminuição do apetite. A nicotina é considerada
um estimulante leve, apesar de um grande número de fumantes relatar sensação
de relaxamento quando fumam. Essa sensação é provocada pela diminuição
do tônus muscular.
Essa substância, quando usada ao longo do tempo, pode provocar o desenvolvimento
de tolerância, ou seja, a pessoa tende a consumir um número cada vez
maior de cigarros para sentir os mesmos efeitos que, originalmente, eram produzidos
por doses menores.
Alguns fumantes, quando suspendem repentinamente o consumo de cigarros,
podem sentir fissura (desejo incontrolável de fumar), irritabilidade, agitação, prisão
de ventre, dificuldade de concentração, sudorese, tontura, insônia e dor de
cabeça. Esses sintomas caracterizam a síndrome de abstinência, desaparecendo
dentro de uma ou duas semanas.
A tolerância e a síndrome de abstinência são alguns dos sinais que caracterizam
o quadro de dependência provocado pelo uso do tabaco.
Efeitos sobre outras partes do corpo
A nicotina produz um pequeno aumento no batimento cardíaco, na pressão arterial,
na freqüência respiratória e na atividade motora.
Quando uma pessoa fuma um cigarro, a nicotina é imediatamente distribuída
pelos tecidos. No sistema digestivo, provoca diminuição da contração do estômago,
dificultando a digestão. Há, ainda, aumento da vasoconstrição e da força dos batimentos
cardíacos.
Efeitos tóxicos
A fumaça do cigarro contém um número muito grande de substâncias tóxicas ao organismo.
Entre as principais, citamos a nicotina, o monóxido de carbono e o alcatrão.
O uso intenso e constante de cigarros aumenta a probabilidade de ocorrência de
algumas doenças, como, por exemplo, pneumonia, câncer (pulmão, laringe, faringe,
esôfago, boca, estômago etc.), infarto de miocárdio, bronquite crônica, enfisema
pulmonar, derrame cerebral, úlcera digestiva etc. Entre outros efeito tóxicos provocados
pela nicotina, podemos destacar, ainda, náuseas, dores abdominais, diarréia,
vômitos, cefaléia, tontura, braquicardia e fraqueza.
Tabaco e gravidez
Quando a mãe fuma durante a gravidez, “o feto também fuma”, recebendo as substâncias
tóxicas do cigarro através da placenta. A nicotina provoca aumento do batidrogas25AGO
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mento cardíaco no feto, redução de peso no recém-nascido, menor estatura, além
de alterações neurológicas importantes. O risco de abortamento espontâneo, entre
outras complicações na gestação, é maior nas gestantes que fumam.
Durante a amamentação, as substâncias tóxicas do cigarro são transmitidas para
o bebê através do leite materno.
Tabagismo passivo
Os fumantes não são os únicos expostos à fumaça do cigarro, pois os não-fumantes
também são agredidos por ela, tornando-se fumantes passivos.
Os poluentes do cigarro dispersam-se pelo ambiente, fazendo com que os nãofumantes
próximos ou distantes dos fumantes inalem também as substâncias tóxicas.
Estudos comprovam que filhos de pais fumantes apresentam incidência três
vezes maior de infecções respiratórias (bronquite, pneumonia, sinusite) do que filhos
de pais não-fumantes.
Aspectos gerais
O hábito de fumar é muito freqüente na população. A associação do cigarro com
imagens de pessoas bem-sucedidas, jovens, esportistas é uma constante nos meios
de comunicação. Esse tipo de propaganda é um dos principais fatores que estimulam
o uso do cigarro. Por outro lado, os programas de controle do tabagismo vêm
recebendo um destaque cada vez maior em diversos países, ganhando apoio de
grande parte da população.
O INCA (Instituto Nacional de Câncer) é o órgão do Ministério da Saúde responsável
pelas ações de controle do tabagismo e prevenção primária de câncer no
Brasil, por meio da Coordenação Nacional de Controle do Tabagismo e Prevenção
Primária de Câncer (Contapp).

sobre o cebrid

O CEBRID
O CEBRID é o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, que funciona no Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo). É uma entidade sem fins lucrativos e existe exclusivamente para ser útil à população. Para cumprir esta função o CEBRID organiza pesquisas e reuniões científicas sobre o assunto drogas, publica livros e levantamentos sobre o consumo de drogas entre estudantes, meninos de rua, etc., mantém um banco de trabalhos científicos brasileiros sobre o abuso de drogas e publica boletins trimestralmente.